Clareza

em

Era o começo ou o fim da tarde, não lembro bem. Uma consciência plena, de súbito, atingiu-me.
Violenta e branda. Assustou-me a lucidez absoluta das coisas. De repente, o tempo não corria, os amores não doíam, os sorrisos não precisavam de motivos, as pessoas não eram mistério, o mistério não existia.
Invadiu-me uma clareza pura e cegou-me. Meu rosto refletido no espelho, de súbito, não era meu rosto. A existência do todo que anula minha existência. Uma sensação de estranheza esmagadora. Não eram meus olhos que me olhavam, não era minha boca que respirava, não era meu rosto que envelhecia. Era todo o resto.

– BAH

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